Salina , a última vértebra

“DePictograma-teatrolicadeza na celebração ao imaginário” (Maksen Luis – O Globo)

Salina estreou no Rio de Janeiro em fevereiro de 2015 com enorme sucesso de crítica e público. A peça é a mais nova criação do Amok Teatro. Com direção de Ana Teixeira e Stephane Brodt e texto do autor francês Laurent Gaudé, Salina propõe um mergulho numa África ancestral, através de uma história atemporal e universal, sobre exílio ódio e perdão.

Sinopse:
Salina conta a saga da personagem que dá nome ao espetáculo. Casada à força e violada por seu marido, ela dá à luz Mumuyê Djimba, um filho que ela detesta tanto quanto o pai. Acusada de deixar o esposo morrer agonizante num campo de batalha, Salina é banida de sua cidade. Exilada no deserto, ela alimenta seu desejo de vingança. Da sua ira, nasce Kwane, que trava uma guerra com seu irmão, Djimba, até que uma reviravolta surpreendente acontece no destino de Salina.
Inédita no Brasil, a obra é composta por elementos da tragédia grega e da epopeia africana, onde encontramos o épico, as paixões, o combate e a parte sombria do indivíduo.
Criado pelo Amok Teatro, o espetáculo Salina foi concebido a partir de um projeto que envolveu diversas etapas: formação de atores, pesquisa de linguagem cênica, além de intercâmbios e ensaios. Durante o período de formação, a sede do grupo em Botafogo foi um lugar de convergência e trocas de experiências entre atores vindos das mais diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro. Depois dessa etapa, dez atores e um músico integraram o Amok e iniciaram uma pesquisa cênica apoiada em diferentes culturas africanas e afro-brasileiras (em particular, o Congado e o Candomblé). O grupo realizou dois encontros com mestre Jorge Antônio dos Santos, mestre de tambor do Congado dos Arturos de Minas Gerais, com quem abordaram, além dos cantos e ritmos dessa tradição, questões como religiosidade e ancestralidade. Salina é resultado de um longo processo de imersão que ultrapassou o âmbito da estética e gerou espaços de deslocamentos, de trocas e de reflexão.

“A obra de Laurent Gaudé permitiu a criação de um território simbólico, uma África imaginária, construída a partir de uma identidade mestiça, da confluência de diversas culturas de raiz africana e das diferentes visões e trocas que surgiram no decorrer do projeto”, explica Ana Teixeira.

Os espetáculos do Amok trazem questões contemporâneas sem perder de vista a afirmação da cena como um espaço cerimonial. Merece destaque o trabalho anterior: A Trilogia da Guerra. O projeto abordou sobre 3 diferentes guerras com 3 linguagens cênicas distintas, circulou por 65 cidades do Brasil e esteve recentemente em turnê na China, onde o grupo retorna este ano, para mais uma turnê, após passar pela África do Sul em julho.
“Com Salina, o Amok abre um novo ciclo de pesquisa, sempre centrada no trabalho do ator. Se na Trilogia da Guerra investigamos as relações entre o teatro e o real, com salina, investigamos as relações entre teatro e rito”, conclui Stephane Brodt.